Ação promovida pelo Hospital Galileu leva brinquedos e alegria a filhos de catadores de materiais recicláveis, em Belém (PA)

Para a menina Laís Reis da Silva, de 9 anos, que nunca pôde ir ao circo, pois os pais não tinham como arcar com o valor do ingresso, a tarde desta sexta-feira, 20/10, foi marcada por um encontro muito especial e que dificilmente a menina esquecerá. Ela pôde passar a tarde inteira brincando e rindo com os palhaços do Coletivo Clown – grupo de voluntários do Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém (PA).

Laís é filha de catadores de materiais recicláveis do bairro de Águas Lindas e participou juntamente com mais de 70 crianças de uma ação promovida pelo Hospital Galileu – unidade 100% SUS – Sistema Único de Saúde, gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Ação essa que levou além das brincadeiras, doação de brinquedos e um sorteio de cestas básicas para os catadores, oferecidas pela Fribel.

A faixa etária das crianças variava, de 1 a 14 anos de idade, mas o que elas tinham em comum era a origem: todos eram filhos de trabalhadores da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Águas Lindas (ARAL). Sarah Reis, de 38 anos, levou a filha adotiva Ester Emili, de 3 anos, para participar da ação. Ester ganhou brinquedo, brincou, lanchou, enquanto a mãe ficava ao lado encantada ao ver a alegria da menina. “É maravilhoso, é uma oportunidade para eles poderem brincar, se divertir”, afirmou Sarah, que trabalha há seis anos na ARAL.

Marta Ferreira, de 19 anos, também catadora de materiais recicláveis, levou a filha Leida Sofia, de 2 anos. Leida que não havia ganhado presente no Dia das Crianças, hoje, ganhou uma boneca. “Muitas vezes ao invés de comprar brinquedo a gente prefere comprar outra coisa que seja mais importante, por falta de condições mesmo. Mas, gostei muito de ter tido esse momento aqui hoje e deles ganharem brinquedos”, declarou.

Para quem atua como voluntário do Hospital Galileu, participar de uma ação como essa, também foi um momento especial. Como conta o palhaço Chupejo – Renato Miranda, de 25 anos -, que pela primeira vez participou de um trabalho fora do ambiente hospitalar. “É muito gratificante. É realmente indescritível, porque você chega aqui e vê uma certa resistência que aos poucos vai caindo, e de repente eles já estão se divertindo e vindo atrás de você”, disse.

Ação do Bem

A ação promovida pela Pró-Saúde, por meio do Hospital Galileu, surge de uma parceria antiga que a instituição tem com a ARAL. Desde 2014, o hospital envia todo seu material reciclável para a associação. Mas, foi na última ação realizada no local, que surgiu a ideia de preparar um momento dedicado para as crianças.

“Nós temos um programa de apoio aos catadores, devido essa proximidade que temos com eles, e essa parceria já tem mais de dois anos. Mas, quando realizamos a última ‘Ação do Bem’ aqui, em agosto, percebemos ainda mais as carências deles e surgiu a ideia de fazer algo direcionado para os filhos também”, explica o presidente do Comitê de Sustentabilidade do Hospital Galileu, Sandro Mendes.

Mendes se refere ao projeto ‘50 Ações do Bem’ da Pró-Saúde, uma iniciativa que vem acontecendo ao longo do ano de 2017 em todas as unidades geridas pela entidade, e leva ações voltadas à promoção da saúde e do bem-estar de colaboradores, pacientes e comunidade em geral. A última ‘Ação do Bem’ realizada pelo hospital Galileu foi na ARAL, e levou avaliação nutricional, avaliação de nível de estresse, teste de glicemia, verificação de pressão arterial e ginástica laboral.

Uma próxima ‘Ação do Bem’ para os catadores de materiais recicláveis já está marcada para a próxima sexta-feira, dia 27/10, e contará com orientações em Segurança Ocupacional e vacinas de Hepatite B, Hepatite C e Tétano, que são obrigatórias para profissionais que atuam com coleta de resíduos.

A unidade

O Hospital Público Estadual Galileu (HPEG) é uma unidade de baixa e média complexidades, sendo retaguarda no atendimento em traumato-ortopedia, clínica médica e cardiologia.

Sua prestação de serviço é baseada na humanização do tratamento com aplicação do processo de desospitalização, no qual os acompanhantes e familiares são preparados para continuar a cuidar dos pacientes em casa, após a alta hospitalar.

A taxa de resolutividade da unidade é de mais de 98%.