Hospital Galileu promove palestra sobre conscientização no trânsito

Após um ano e dois meses em que sofreu um grave acidente de moto, seu Marieldo Melo Lima, mototaxista, de 63 anos, ainda sofre as consequências. “Foi uma fatalidade, o pneu de minha moto furou, e meu acidente me deixou incapaz de trabalhar, o que me deixa muito triste. Eu nunca gostei de ficar dentro de casa sem fazer nada, pois sou um homem trabalhador e sofro muito com isso”, conta seu Marieldo, que estava aguardando atendimento ambulatorial na manhã desta sexta-feira, 24, no Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, quando foi surpreendido com uma palestra que falava justamente sofre os cuidados e as consequências dos acidentes de trânsito.

Assim como seu Marieldo, outros pacientes que aguardavam consulta, puderem conhecer mais sobre os índices desses acidentes, e as sequelas deixadas por eles. A palestra, facilitada pela fisioterapeuta Lorena Borges, faz parte do projeto “Direção Viva: você consciente, trânsito mais seguro!”, promovido pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, que gerencia o Hospital Galileu sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Quem também se identificou com o tema foi o jovem Elivando Pantoja dos Santos, de 19 anos. Em 2016, ele sofreu um grave acidente de carro, após ter sido surpreendido por um carro que invadiu a pista em que ele vinha com prudência. Após quatro meses do acidente, Elivando ainda não recuperou todos os movimentos do tornozelo, o que o impossibilita de andar. No acidente ele também quebrou o braço, o fêmur e dois ossos do rosto. “Depois do acidente minha vida mudou totalmente, agora até para arrumar emprego eu acredito que vai ser difícil, antes eu trabalhava com meu avô, em um açougue, agora estou desempregado”, conta o jovem, que após o acidente ficou internado por cerca de 50 dias, sendo os primeiros 20 dias no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, e os demais, no Hospital Galileu, onde até hoje ele recebe atendimento ambulatorial com médico ortopedista.

Elivando aproveitou a oportunidade para deixar um recado a todos que vão curtir o feriado prolongado de Carnaval. “Eu aconselho as pessoas a terem mais respeito no trânsito, não beber, pois no Carnaval as pessoas se excedem e acabam ocasionando muito acidentes, então eu sugiro que as pessoas dirijam por si e pelo próximo, eu digo isso me colocando como exemplo, pois quando sofri o acidente, vinha certinho, na minha mão, e fui surpreendido com a impudência de outro motorista” reflete o jovem.

Direção Viva

O “Direção Viva” é um projeto contínuo, que ocorre em todas as unidades de saúde públicas gerenciadas pela Pró-Saúde. A iniciativa consiste em promover ações de educação em saúde voltadas a conscientização sobre as sequelas oriundas de traumas por acidentes de trânsito. Com o projeto “Direção Viva” busca-se disseminar a informação sobre o impacto dos acidentes de trânsito na sociedade, bem como, formar multiplicadores no processo de combate a insegurança no trânsito. “Acreditamos que para que a nossa população tenha qualidade de vida precisa compreender os riscos a que nos submetemos diariamente. E isso, ocorre, quando fazemos educação em saúde. Por isso, implantamos o Direção Viva nas unidades, e assim, trabalhamos a prevenção em saúde, por meio da educação e disseminação de informação. Queremos reduzir o número de sequelas causadas pelos acidentes de trânsito, e isso só será possível, reduzindo esses eventos”, revelou o diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará, Paulo Czrnhak.

Dados

Os seis hospitais públicos gerenciados pela Pró-Saúde no Pará atendem cerca de 90% das vítimas de acidentes de trânsito, com perfil de média e alta complexidades. Em 2016, mais de 12 mil vítimas foram atendidas em quatro dos seis hospitais públicos geridos pela entidade. No Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) foram realizados 5.647 atendimentos a vítimas de acidente de trânsito, sendo que os acidentes de moto seguem liderando a estatística, com 2.695 casos, seguidos de colisão (1.826), atropelamento (880) e acidentes de bicicleta (246). Desse total, 448 atendimentos a vítimas de acidente de trânsito foram realizados no mês de fevereiro.

Em 2017, considerando o mês de janeiro, já são 336 atendimentos a vítimas de acidente de trânsito, com 137 acidentes de moto, seguidos de colisão (114), atropelamento (65) e acidente de bicicleta (20). Em média, aproximadamente 50% dos leitos da unidade hospitalar são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito.

Já no Hospital Galileu, unidade que atua como retaguarda ao Hospital Metropolitano e que atende em sua maioria vítimas de algum trauma ortopédico, os registros chegaram a 3.656 internações no ano de 2016. Casos esses, transferidos justamente, do Hospital Metropolitano.