Mercado de Trabalho: treinamento no Hospital Galileu provoca reflexão sobre plano de carreira

Fazer uma faculdade e depois ingressar no mercado de trabalho podem parecer o plano perfeito para muitos. Porém, essa fórmula nem sempre dá certo. Você já se perguntou porque escolheu a profissão na qual atua? “O coach pergunta muito ‘Qual é a sua missão?’, ‘Você veio aqui para ganhar dinheiro ou para cuidar de pessoas?’, porque nem sempre as pessoas estão trabalhando pelos motivos certos”, contou a enfermeira de Educação Continuada, Wanessa Silva.

Ela atua no Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém (PA), unidade gerida pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que na última semana reservou quatro dias para promover uma reflexão entre enfermeiros e técnicos de Enfermagem sobre como eles se enxergam dentro da profissão que desenvolvem, o papel de cada um no hospital e no cuidado com os pacientes.

O treinamento foi ministrado pelo coach, Kotaro Tuji Neto, formado em administração de Pessoas com especialização em Gestão de Recursos Humanos. Em palestras de uma hora de duração, realizadas no auditório da unidade, Kotaro teve a oportunidade de falar com enfermeiros e técnicos sobre o tema “Ser e Estar na Enfermagem” e provocou neles uma reflexão sobre sua missão de vida em relação à profissão.

“O maior recurso que temos é o tempo, e se passamos a maior parte do nosso tempo no trabalho, precisamos repensar como estamos utilizando o maior recurso que temos”, afirmou o coach.

Ser e Estar na Enfermagem

Segundo a diretora Assistencial da unidade, Daniela Castro, a ideia de levar um coach para conversar com a equipe surgiu ainda em 2017, durante a Semana de Enfermagem, com o intuito de chamar a atenção dos profissionais para o motivo de trabalharem na área da saúde. “Muitos profissionais estão na profissão, porém não se sentem envolvidos nela, a não ser pela remuneração que a mesma proporciona mensalmente. A enfermagem surgiu da necessidade de cuidar do outro e se os profissionais não se sentirem pertencentes a este processo do cuidado ele pode ser acometido por diversas falhas”, explicou.

De acordo com Daniela, outro problema que muitos profissionais da área da saúde enfrentam na busca por uma remuneração maior são as inúmeras horas de trabalho consecutivas em mais de uma instituição. Porém, ela alerta que essa busca acaba se tornando um fardo para muitos e que cabe à gestão do hospital relembrá-los o motivo de estarem ali. “O excesso de horas trabalhadas causa diversos prejuízos. E, tendo um grupo grande de profissionais de enfermagem, tenho como missão resgatar ao máximo nossos profissionais para a essência do cuidar, associados à nossa missão e princípios, principalmente, no que se refere ao cuidado centrado no paciente com humanização e qualidade”.

Técnica em Enfermagem do Hospital Galileu, Thayná Pinto, disse que ainda hoje sente o mesmo amor pela profissão que sentia quando ingressou na carreira cinco anos atrás. “Até hoje, tenho o mesmo sentimento de que trabalhar como técnica de Enfermagem é o que eu gosto de fazer e faço com amor”, reafirmou Thayná

Para ela, o treinamento foi importante pelo âmbito da reciclagem e por abrir espaço para uma reflexão sobre o trabalho executado diariamente. “Ele fez a gente repensar a nossa rotina e como podíamos aplicar tudo aquilo que ele propôs para a gente, como inteligência emocional, positividade, pontos que são muito importantes no momento de lidarmos com pacientes, e no dia a dia mesmo”, declarou a técnica em Enfermagem.

Assim como Thayná, a enfermeira Danielly Nobre também sentiu o impacto positivo da palestra e acredita que trará um retorno positivo para o ambiente de trabalho. “Sobre alguns pontos que ele falou, eu já tinha parado para pensar, fazendo uma autorreflexão. Porém, em outros, ele me fez ter outra visão sobre ser enfermeira”, afirmou. E completou: “Isso acrescenta muito no nosso dia a dia. Por exemplo, a questão da positividade, passamos a olhar até desavenças como desafios e vendo que aquela desavença tem um lado bom”.

Para a enfermeira Wanessa Silva, quem sente o maior impacto de todos esses treinamentos ministrados no hospital é o paciente. “O enfermeiro que se conhece melhor, que trabalha suas frustrações, não repassa isso para o paciente, então é um profissional competente, humanizado, empático, gentil, e com certeza reflete isso para o paciente lá na ponta”, refletiu.

Desafio

Para concluir o treinamento, o coach deixou uma missão para a equipe: refletir sobre qual foi o seu maior aprendizado e como pode aplicá-lo na sua vida e trabalho. Além disso, pediu que cada um escrevesse de cinco a dez linhas sobre a missão de vida deles na Enfermagem. As melhores serão divulgadas no mural da unidade.

“Desenvolver pessoas é um processo contínuo, é algo que leva tempo, e o Hospital Galileu é realmente referência nessa área”, concluiu Kotaro Tuji Neto.